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A epidemia de miopia
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A epidemia de miopia

O século XX foi marcado pela prevalência de doenças associadas ao estilo moderno de vida — obesidade, infarto, derrame, diabetes e câncer. Em todas essas enfermidades, pesquisas de alcance global e cuidadosa verificação chegaram aos vilões: o excesso de alimentos industrializados e hábitos sedentários, além do tabagismo. Agora, na entrada do século XXI, já se tem uma nova epidemia contemporânea — a miopia, cuja alta é inédita e forte, mas paulatina.

Hoje, em todo o mundo, cerca de 30% das pessoas são míopes, o equivalente a 2,5 bilhões de homens e mulheres. Em 2050 serão quase 50%, ou 5 bilhões de indivíduos que passarão a ver o mundo de lentes. É um fenômeno recente. Até a década de 90 o aumento era muito mais lento.

Acredita-se que as causas desse salto extraordinário estejam ligadas a dois fatores: a exposição insuficiente à luz, consequência da vida enclausurada em salas de aula e escritórios, sem horizonte à vista; e a leitura de perto, de muito perto, resultado do uso exagerado de smartphones e tablets. É o que se convencionou chamar de miopia urbana. Esses hábitos estão levando a uma epidemia de miopia. Há, evidentemente, a predisposição genética em muitos casos (existem duas dezenas de genes relacionados à doença), mas também a decisiva influência do ambiente.

Para entender a influência da luz solar na miopia, é preciso compreender os mecanismos da doença. O míope tem dificuldade em enxergar longe. A miopia ocorre quando a luz que entra no olho não é focalizada no local correto, o que faz com que objetos distantes sejam visualizados de forma embaçada (veja o quadro na página ao lado). O problema é deflagrado especialmente na infância. Nessa fase a presença da luz é ainda mais essencial. Na primeira década de vida, a curvatura e o comprimento do olho se desenvolvem de modo a pôr o foco no ponto correto, a retina. A luz solar estimula o enrijecimento da esclera, o arcabouço do olho — nos míopes, a esclera é mais elástica que o normal, o que provoca uma modificação no formato do órgão, que fica demasiadamente ovalado e afeito ao foco em um ponto inadequado.

Diante disso, fica a prescrição: Ler é bom e saudável, mas um pouco de luz natural todos os dias, em espaços abertos, deve ser visto com muito bons olhos. E não vale substituí-la pela luz de smartphones e tablets.

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