Obrigatoriedade de receita aumenta uso de colírios de venda livre

Conduta pode causar doenças graves e mascarar a conjuntivite bacteriana, comum no verão
Desde o final de novembro quando saiu a resolução da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que proíbe a venda de antibióticos sem receita médica muitas pessoas estão procurando alternativas para tratar irritações oculares.
De acordo com oftalmologistas do corpo clínico do ISO Olhos, um número expressivo de pacientes chegam aos consultórios usando colírio por conta própria. Isto significa que a automedicação aumentou desde a obrigatoriedade da receita na compra do medicamento.
No verão, o calor facilita a proliferação de bactérias. Não por acaso, nesta época do ano cresce a incidência da conjuntivite bacteriana, infecção da conjuntiva, membrana que recobre a pálpebra e a esclera (parte branca do olho). O único tratamento eficaz para combater a doença é a instilação de colírio antibiótico. De acordo com a oftalmologista Emiliana Valadares, usar outro tipo de medicação pode até aliviar os sintomas, mas mascara a infecção e faz com que a bactéria seja mais resistente. Segundo a médica, em casos como este o tratamento precisa ser prolongado e usar colírio antibiótico por muito tempo, diminui a imunidade dos olhos, predispõe à úlcera na córnea e outras infecções. Isto quer dizer que o tratamento deve ser acompanhado de um médico especialista.
Efeitos colaterais
É comum entre os brasileiros ter um casa um frasco de colírio vasoconstritor para ser usado em caso de vermelhidão nos olhos. O medicamento é indicado para irritações oculares. Clareia os olhos porque contém um princípio ativo que contrai os vasos. O problema é que o uso indiscriminado pode causar olho vermelho crônico, antecipar a formação da catarata, induzir à hipertensão e alterações cardíacas.
O colírio anti-inflamatório que contém corticóide também não deve ser usado sem prescrição pois pode causar catarata precoce e glaucoma, doença assintomática que é a maior causa de cegueira irreversível. Geralmente estas doenças aparecem depois de três meses de uso, mas podem ocorrer antes, dependendo da predisposição de cada pessoa, idade, outros medicamentos em uso e condições da saúde.
Mesmo o anti-inflamatório não-hormonal, que não possui corticóide e a lágrima artificial não devem ser usados sem acompanhamento médico. Isso porque, podem desencadear processos alérgicos, especialmente em quem tem histórico de alergia.
Prevenção
Outras doenças oculares comuns no verão são: conjuntivite viral, conjuntivite tóxica, síndrome do olho seco e fotoceratite (inflamação da córnea decorrente do excesso de exposição ao sol). Todas deixam os olhos vermelhos, mas cada uma tem um tratamento específico.
Confira as dicas para manter a visão saudável no verão:
1. A qualquer desconforto ou ardência lave abundantemente os olhos.
2. Mantenha as mãos limpas e evite tocar os olhos.
3. Não compartilhe colírio, maquiagem, toalhas e fronhas.
4. Descarte sobras de colírio.
5. Use óculos de natação na praia e piscina.
6. Proteja os olhos do sol, usando lentes com filtro UV, chapéu ou boné.
7. Beba no mínimo 2 litros de água por dia
8. Tenha uma alimentação saudável, incluindo frutas, legumes e semente de linhaça.
9. Evite o uso de filtro solar ou bronzeador na região periocular ( perto dos olhos)
10. Retire lentes de contato em viagens aéreas, raia e piscina.
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